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Como organizar a rotina contábil de uma securitizadora

Fluxos, documentação e fechamentos consistentes para acompanhar a operação.

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Como organizar a rotina contábil de uma securitizadora

A contabilidade de uma securitizadora exige controles específicos, principalmente porque sua operação envolve aquisição de direitos creditórios, recebimento dos créditos, captação de recursos e, dependendo do modelo adotado, emissão de títulos e valores mobiliários.

Uma rotina contábil bem organizada permite acompanhar corretamente o resultado de cada operação, controlar os recebíveis adquiridos, identificar receitas e despesas e manter as informações necessárias para o cumprimento das obrigações fiscais e societárias.

Neste artigo, você vai entender como organizar a rotina contábil de uma securitizadora e quais informações precisam ser acompanhadas durante suas operações.

Como funciona uma securitizadora?

De forma simplificada, a securitização envolve a aquisição de direitos creditórios e sua utilização dentro de uma estrutura destinada à obtenção de recursos.

Os direitos creditórios representam valores que uma empresa ou pessoa tem a receber, podendo estar relacionados, por exemplo, a duplicatas, contratos, Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) e outros recebíveis.

Por isso, antes de definir a rotina contábil, é fundamental compreender exatamente como a securitizadora realiza suas operações, quais recebíveis adquire, como ocorre a captação de recursos e de que maneira esses valores são liquidados.

Separe a operação financeira da movimentação contábil

Um dos principais cuidados é não tratar toda entrada de dinheiro como receita e toda saída como despesa.

A aquisição de um direito creditório, sua posterior liquidação, o recebimento de rendimentos, a emissão de títulos e o pagamento aos investidores possuem naturezas diferentes e precisam ser identificados corretamente na contabilidade.

Essa separação é essencial para que o resultado contábil represente efetivamente a atividade da securitizadora.

Controle os direitos creditórios adquiridos

A securitizadora deve possuir um controle detalhado dos direitos creditórios adquiridos.

Para cada operação, é recomendável manter informações como:

  • cedente do crédito;
  • devedor ou sacado;
  • documento que originou o recebível;
  • valor de face do título;
  • valor pago pela aquisição;
  • data da aquisição;
  • data de vencimento;
  • valor efetivamente recebido;
  • deságio da operação;
  • situação atual do recebível.

Esses dados permitem conciliar a carteira operacional com os valores registrados na contabilidade.

Faça a conciliação dos recebimentos

Outro ponto importante da rotina contábil da securitizadora é a conciliação dos valores recebidos.

Os pagamentos realizados pelos devedores precisam ser relacionados aos respectivos direitos creditórios. Dessa forma, é possível identificar quais títulos foram liquidados, quais permanecem em aberto e quais apresentam atraso ou inadimplência.

O ideal é que essa conciliação seja realizada de forma periódica e integrada ao sistema utilizado para controlar a carteira.

Controle corretamente o deságio das operações

Quando um direito creditório é adquirido por valor inferior ao seu valor de face, existe uma diferença econômica que precisa ser corretamente acompanhada.

Por exemplo:

Uma securitizadora adquire um direito creditório com valor de face de R$ 100.000,00 pelo valor de R$ 90.000,00.

A diferença de R$ 10.000,00 representa o deságio da operação. O reconhecimento contábil e tributário desse resultado deve observar a natureza da operação e as normas aplicáveis.

A Receita Federal já analisou especificamente a receita das empresas que atuam com securitização de ativos empresariais, inclusive quanto ao tratamento do deságio e das despesas relacionadas à captação de recursos.

Controle a captação de recursos separadamente

Quando a securitizadora utiliza instrumentos de captação, como a emissão de títulos, é fundamental que esses valores não sejam confundidos com receita operacional.

A entrada de recursos decorrente da emissão de um instrumento de dívida representa uma obrigação assumida pela empresa e deve ser acompanhada separadamente.

A contabilidade precisa controlar, entre outros pontos:

  • valor captado;
  • data da emissão;
  • prazo;
  • remuneração prevista;
  • encargos da operação;
  • pagamentos realizados;
  • saldo da obrigação;
  • vencimento.

Controle as debêntures emitidas

Quando a estrutura da securitizadora envolve emissão de debêntures, o controle deve permitir identificar cada emissão e suas respectivas condições.

É importante acompanhar o valor emitido, investidores, remuneração, vencimentos, pagamentos e saldo devedor.

Também é necessário separar contabilmente o custo relacionado à captação dos recursos do resultado obtido com os direitos creditórios adquiridos.

Organize os documentos de cada operação

Cada operação deve possuir documentação suficiente para demonstrar sua origem e movimentação.

Entre os documentos que podem integrar esse controle estão:

  • contrato de cessão de crédito;
  • documentos dos direitos creditórios;
  • comprovantes de pagamento ao cedente;
  • comprovantes dos recebimentos;
  • instrumentos relacionados à emissão de títulos;
  • extratos bancários;
  • documentos de registro da operação;
  • relatórios da carteira de recebíveis.

A documentação deve permitir que a operação seja acompanhada desde a aquisição do crédito até sua liquidação.

Faça a conciliação bancária regularmente

A conciliação bancária é especialmente importante para empresas que movimentam grande quantidade de recebimentos e pagamentos.

O saldo apresentado pelo sistema de gestão deve ser confrontado periodicamente com os extratos bancários e com a contabilidade.

Diferenças devem ser identificadas e corrigidas antes do fechamento contábil.

Acompanhe receitas, despesas e resultado da securitizadora

A gestão não deve observar somente o volume total da carteira. É importante acompanhar o resultado efetivo das operações de securitização.

Entre os indicadores que podem ser acompanhados estão:

  • valor total dos direitos creditórios adquiridos;
  • valor de face da carteira;
  • deságio das aquisições;
  • valores recebidos;
  • inadimplência;
  • despesas de captação;
  • custos administrativos;
  • resultado das operações;
  • rentabilidade da carteira.

Com essas informações, a contabilidade deixa de ser apenas uma obrigação e passa a contribuir para a análise financeira da securitizadora.

Atenção à tributação da securitizadora

A tributação das empresas que atuam com securitização possui particularidades e deve considerar exatamente qual atividade está sendo exercida e como as operações estão estruturadas.

A Receita Federal possui entendimentos específicos sobre a composição da receita bruta das securitizadoras e o tratamento tributário do deságio, das receitas relacionadas aos recebíveis e das despesas de captação.

Por isso, a classificação contábil correta das operações é fundamental também para a apuração dos tributos.

Securitizadora e patrimônio separado

Dependendo da estrutura da operação de securitização, pode existir a constituição de regime fiduciário e patrimônio separado.

Nessas situações, os direitos creditórios e demais bens vinculados à determinada emissão precisam ser controlados de forma segregada, sem confusão com o patrimônio comum da companhia ou com outros patrimônios separados.

Esse é um ponto que exige atenção especial na estrutura contábil e documental da operação.

Qual a importância de um sistema de gestão para securitizadoras?

Utilizar planilhas isoladas pode dificultar o controle à medida que aumenta o número de operações.

Um sistema para securitizadora pode organizar informações como direitos creditórios, cedentes, devedores, parcelas, recebimentos, inadimplência, deságio, captações e relatórios financeiros.

Quando essas informações são estruturadas corretamente, também fica mais fácil fornecer à contabilidade os dados necessários para escrituração e conciliação.

Contabilidade especializada para securitizadora

Uma contabilidade especializada em securitizadoras precisa compreender não apenas as obrigações fiscais tradicionais, mas também a lógica financeira das operações.

É necessário entender como ocorre a aquisição dos recebíveis, qual é a origem dos recursos utilizados, como os títulos são liquidados, como ocorre a remuneração dos investidores e quais valores efetivamente representam receitas, custos, ativos e obrigações.

Como a PEV Contabilidade pode ajudar sua securitizadora?

A PEV Contabilidade Digital atende empresas que atuam no segmento de crédito e pode auxiliar na organização contábil e fiscal das operações de securitização.

O acompanhamento pode envolver:

  • estruturação da rotina contábil;
  • escrituração das operações;
  • conciliação da carteira de recebíveis;
  • controle contábil das captações;
  • apuração tributária;
  • demonstrações contábeis;
  • orientação sobre documentos e informações necessárias para a contabilidade;
  • acompanhamento periódico das operações.

Possui uma securitizadora ou está estruturando uma nova operação? Entre em contato com a PEV Contabilidade Digital para conhecer nosso atendimento especializado.

Conclusão

Organizar a rotina contábil de uma securitizadora exige integração entre os controles financeiros, a carteira de direitos creditórios, as captações e a contabilidade.

Quanto melhor estiver estruturado o fluxo de informações desde a aquisição do recebível até sua liquidação, mais fácil será acompanhar os resultados, cumprir as obrigações da empresa e tomar decisões com base em informações confiáveis.