Empresa Simples de Crédito vale a pena? Entenda antes de abrir uma ESC
Empresa Simples de Crédito vale a pena? Para quem possui capital próprio e pretende atuar profissionalmente na concessão de crédito para pequenos negócios, uma ESC pode representar uma oportunidade interessante. Entretanto, a rentabilidade depende da qualidade das operações, da taxa de juros praticada, da inadimplência, dos custos, da tributação e, principalmente, da capacidade de administrar corretamente a carteira de crédito.
A Empresa Simples de Crédito (ESC) possui regras próprias e não funciona como um banco ou financeira tradicional. Ela utiliza recursos próprios para realizar determinadas operações de crédito com Microempreendedores Individuais (MEI), Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP).
Por isso, antes de abrir uma ESC, é importante fazer as contas e entender se esse modelo realmente combina com o seu objetivo.
O que é uma Empresa Simples de Crédito?
A Empresa Simples de Crédito foi criada pela Lei Complementar nº 167/2019 e pode realizar operações de empréstimo, financiamento e desconto de títulos de crédito nas condições estabelecidas pela legislação.
Uma de suas principais características é a utilização de recursos próprios.
Isso significa que a ESC não funciona captando dinheiro do público para posteriormente emprestá-lo. O capital utilizado nas operações precisa respeitar as regras específicas desse modelo empresarial.
Então, abrir uma Empresa Simples de Crédito vale a pena?
Pode valer a pena, desde que exista planejamento.
Não é suficiente possuir dinheiro disponível e começar a conceder crédito. É necessário avaliar quanto desse capital poderá ser destinado às operações, qual será a rentabilidade esperada e quanto uma eventual inadimplência pode comprometer o resultado.
Antes da abertura, é recomendável projetar pelo menos:
- capital disponível para as operações;
- quantidade de clientes;
- valor médio das operações;
- taxa média de juros;
- prazo médio dos contratos;
- percentual estimado de inadimplência;
- custos administrativos;
- custos com sistemas e registros;
- despesas contábeis;
- tributação;
- rentabilidade líquida esperada.
Como uma Empresa Simples de Crédito ganha dinheiro?
A remuneração da ESC está relacionada aos juros remuneratórios cobrados nas operações de crédito.
Por isso, a rentabilidade não deve ser analisada simplesmente observando a taxa de juros de uma única operação.
É necessário avaliar o resultado da carteira como um todo.
Uma ESC pode possuir uma boa taxa nominal de juros e, mesmo assim, apresentar um resultado abaixo do esperado caso tenha muita inadimplência, capital ocioso ou custos elevados.
Exemplo de rentabilidade de uma ESC
Imagine, apenas para fins ilustrativos, uma ESC com R$ 300.000,00 de recursos disponíveis para suas operações.
Suponha que R$ 250.000,00 estejam efetivamente aplicados em uma carteira de crédito e que essa carteira produza determinada receita de juros durante o mês.
Para descobrir quanto a ESC realmente ganhou, não basta considerar somente os juros contratados.
É necessário descontar ou considerar:
- tributos;
- inadimplência;
- custos de cobrança;
- contabilidade;
- sistema de gestão;
- registro das operações;
- despesas bancárias;
- custos administrativos;
- demais despesas da empresa.
O resultado final é que permitirá avaliar a rentabilidade real da Empresa Simples de Crédito.
O capital próprio é um dos principais fatores
Quem pretende abrir uma ESC precisa compreender a importância do capital disponível.
A legislação estabelece relação direta entre o capital realizado e a capacidade de realizar operações. Portanto, não adianta estruturar uma empresa com expectativa de possuir uma carteira muito superior aos recursos próprios permitidos para utilização.
Na prática, quanto maior for o capital próprio disponível — respeitando uma política prudente de risco — maior poderá ser a capacidade operacional da ESC.
Existe capital mínimo para abrir uma ESC?
A legislação da Empresa Simples de Crédito não estabelece simplesmente um valor único de capital social mínimo aplicável a todas as ESCs.
Entretanto, o volume das operações possui limitações relacionadas ao capital realizado.
Por isso, o capital social deve ser definido considerando o tamanho da operação que o empreendedor pretende construir.
Uma ESC com capital muito baixo pode ter sua capacidade de geração de receitas limitada, enquanto uma estrutura maior também exige controles mais robustos de crédito e gestão de risco.
A inadimplência pode comprometer a rentabilidade
Um dos maiores riscos de qualquer operação de crédito é a inadimplência.
Imagine que uma ESC esteja obtendo uma boa receita de juros, mas alguns clientes deixem de pagar valores relevantes.
Uma única operação mal analisada pode consumir o resultado obtido em diversas operações que foram pagas normalmente.
Por isso, uma ESC precisa possuir critérios para análise de crédito.
Entre os pontos que podem ser avaliados estão:
- situação cadastral da empresa;
- capacidade de pagamento;
- histórico financeiro;
- endividamento;
- faturamento;
- garantias;
- histórico do cliente;
- risco da operação.
Não concentre todo o capital em poucos clientes
Outro cuidado importante é a concentração da carteira.
Se uma ESC possui R$ 500.000,00 aplicados e R$ 300.000,00 estão concentrados em apenas um cliente, um problema financeiro desse tomador pode afetar grande parte da carteira.
Por isso, além de analisar individualmente cada operação, é importante acompanhar quanto cada cliente representa dentro do patrimônio destinado às operações.
Capital parado também reduz a rentabilidade
Existe ainda o problema oposto: possuir recursos disponíveis, mas poucas operações.
Se uma ESC possui capital elevado, porém utiliza apenas uma pequena parcela na carteira de crédito, parte dos recursos poderá permanecer ociosa.
Por isso, a rentabilidade depende de encontrar um equilíbrio entre capital disponível, demanda por crédito e controle de risco.
Para quem a ESC pode conceder crédito?
A Empresa Simples de Crédito não pode realizar operações indiscriminadamente com qualquer pessoa.
As contrapartes previstas na Lei Complementar nº 167/2019 são:
- Microempreendedores Individuais (MEI);
- Microempresas (ME);
- Empresas de Pequeno Porte (EPP).
A ESC também possui limitação territorial de atuação prevista na legislação.
Portanto, o mercado potencial da empresa deve ser analisado antes de sua constituição.
Empresa Simples de Crédito pode emprestar para pessoa física?
Não para finalidade de crédito pessoal ao consumidor.
As operações da ESC devem observar as contrapartes empresariais estabelecidas pela Lei Complementar nº 167/2019.
Isso é especialmente importante para quem pensa em abrir uma ESC imaginando atuar livremente com empréstimos pessoais. Esse não é o objetivo do modelo.
A ESC pode captar dinheiro de investidores?
A Empresa Simples de Crédito deve realizar suas operações utilizando recursos próprios, observando as limitações da legislação.
Portanto, o modelo não deve ser planejado com a ideia de captar dinheiro de terceiros ou do público para formar a carteira de crédito.
Esse ponto precisa ser considerado ao analisar se abrir uma ESC vale a pena, pois a disponibilidade de capital próprio é determinante para o tamanho da operação.
A ESC pode cobrar qualquer taxa de juros?
A Lei Complementar nº 167/2019 estabelece regras próprias para a remuneração das operações da ESC.
A definição da taxa deve considerar risco, prazo, perfil do cliente, custos, tributação e rentabilidade desejada.
Entretanto, cobrar uma taxa elevada não significa necessariamente obter maior lucro.
Taxas incompatíveis com o perfil dos clientes podem aumentar a dificuldade de pagamento e, consequentemente, a inadimplência.
Quais são os custos para manter uma ESC?
Ao calcular se uma Empresa Simples de Crédito é lucrativa, é importante considerar também os custos da estrutura.
Entre eles podem existir:
- contabilidade;
- sistema para controle das operações;
- registro dos contratos e operações;
- certificados digitais;
- despesas bancárias;
- análise de crédito;
- cobrança;
- serviços jurídicos;
- funcionários, quando houver;
- estrutura administrativa;
- tributos.
Esses valores precisam fazer parte da projeção de rentabilidade.
Como funciona a tributação de uma Empresa Simples de Crédito?
A tributação da ESC possui características próprias e deve ser analisada antes do início das atividades.
Apesar do nome “Empresa Simples de Crédito”, a ESC não pode optar pelo Simples Nacional.
Por isso, a projeção financeira deve considerar o regime tributário aplicável, a forma de reconhecimento das receitas e os demais tributos relacionados às operações.
Além da tributação sobre os resultados e receitas da empresa, as operações de crédito também exigem atenção ao IOF.
ESC é melhor que factoring?
Não existe uma resposta única. ESC e factoring são modelos diferentes.
A Empresa Simples de Crédito pode realizar empréstimos, financiamentos e desconto de títulos de crédito dentro das regras da Lei Complementar nº 167/2019.
A factoring possui outra estrutura jurídica e operacional, tradicionalmente relacionada ao fomento mercantil e à aquisição de direitos creditórios.
Portanto, a escolha não deve ser feita apenas comparando qual parece mais lucrativa. É necessário identificar qual atividade o empreendedor realmente pretende exercer.
Quais são as vantagens de abrir uma ESC?
Entre as características que podem tornar a Empresa Simples de Crédito interessante estão:
- possibilidade de atuar profissionalmente no mercado de crédito empresarial dentro de uma estrutura prevista em lei;
- utilização de capital próprio;
- receita proveniente dos juros das operações;
- possibilidade de trabalhar com empréstimos, financiamentos e desconto de títulos de crédito nas condições legais;
- demanda de pequenos negócios por alternativas de crédito;
- possibilidade de desenvolver uma carteira própria de clientes.
Quais são as desvantagens e riscos de uma ESC?
Também existem pontos que precisam ser considerados antes de investir.
- necessidade de capital próprio;
- risco de inadimplência;
- limitação do público que pode contratar;
- limitação territorial prevista na legislação;
- impossibilidade de captar recursos do público;
- necessidade de controles financeiros detalhados;
- custos tributários e administrativos;
- necessidade de análise profissional de crédito.
Como saber se uma Empresa Simples de Crédito vale a pena para você?
Antes de abrir a empresa, faça uma simulação financeira da ESC.
Considere três cenários:
Cenário conservador
Utilize uma taxa menor de ocupação do capital e uma estimativa maior de inadimplência.
Cenário esperado
Utilize as condições que você acredita serem mais próximas da realidade da futura carteira.
Cenário otimista
Considere maior utilização do capital e menor inadimplência, mas sem utilizar esse cenário como única referência para decidir pelo investimento.
Depois, compare a rentabilidade líquida esperada da ESC com o risco assumido e com outras possibilidades de utilização do capital.
Contabilidade especializada ajuda na análise da ESC?
Sim. Antes mesmo da abertura, uma contabilidade especializada em Empresa Simples de Crédito pode ajudar a projetar custos, tributação e estrutura necessária para o funcionamento da empresa.
Depois que a ESC começa a operar, a contabilidade precisa acompanhar informações como:
- capital realizado;
- operações liberadas;
- principal;
- juros;
- IOF;
- parcelas;
- recebimentos;
- inadimplência;
- saldo da carteira;
- receitas;
- tributos;
- resultado da empresa.
PEV Contabilidade Digital: contabilidade especializada em ESC
A PEV Contabilidade Digital atende Empresas Simples de Crédito e empreendedores que estão estudando a abertura de uma ESC.
O atendimento pode envolver:
- abertura de Empresa Simples de Crédito;
- orientação sobre estrutura empresarial;
- contabilidade especializada em ESC;
- apuração tributária;
- controle contábil das operações;
- orientação sobre IOF;
- demonstrações contábeis;
- regularização empresarial;
- acompanhamento contábil e fiscal.
Quer saber se abrir uma Empresa Simples de Crédito faz sentido para o seu projeto? Entre em contato com a PEV Contabilidade Digital e converse com nossa equipe.
Perguntas frequentes sobre abrir uma ESC
Empresa Simples de Crédito dá dinheiro?
Uma ESC pode ser rentável, mas não existe rentabilidade garantida. O resultado depende do capital utilizado, juros, prazo das operações, inadimplência, custos, tributação e eficiência na gestão da carteira.
Quanto preciso ter para abrir uma ESC?
Não existe simplesmente um valor mínimo único definido para todos os projetos. O capital deve ser planejado considerando o volume de operações que a empresa pretende realizar e as limitações previstas na legislação.
Posso abrir uma ESC com pouco dinheiro?
É necessário avaliar a viabilidade econômica. Como a capacidade operacional está relacionada aos recursos próprios disponíveis, um capital reduzido também pode limitar o volume da carteira e, consequentemente, a capacidade de geração de receitas.
Posso captar dinheiro para aumentar minha ESC?
A ESC deve realizar suas operações com recursos próprios e não pode estruturar sua atividade com captação de recursos do público para concessão de crédito.
A ESC pode emprestar para qualquer empresa?
Não. As operações devem respeitar as contrapartes e demais condições estabelecidas pela Lei Complementar nº 167/2019.
Conclusão: Empresa Simples de Crédito vale a pena?
A Empresa Simples de Crédito pode valer a pena para quem possui capital próprio, conhece o mercado em que pretende atuar e consegue estruturar uma carteira de crédito com boa relação entre risco e retorno.
Por outro lado, abrir uma ESC sem analisar inadimplência, tributação, custos, demanda e capacidade de utilização do capital pode gerar resultados muito diferentes dos esperados.
Portanto, antes de abrir a empresa, o ideal é elaborar uma projeção financeira e tributária, definir uma política de crédito e estruturar os controles necessários para acompanhar cada operação.